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  Wálter Maierovitch
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Espírito mafioso mata o governo de centro-esquerda da Itália.





foto: Mastella, pivô da crise que derrubou Prodi.




A Itália guarda muita semelhança com o Brasil e, muitas vezes, nem parece ser ela membro do G8.



O espírito mafioso da vantagem acima de tudo contamina, nos parlamentos do Brasil e da Itália , e estabilidade democrática.



Esse espírito mafioso faz não haver distinção entre Renan Calheiros (o Painel da Folha de S.Paulode hoje conta que voltou à cena para controlar a diretoria internacional da Petrobrás) e Clemente Mastella , ex-ministro da Justiça, senador e líder do nanico partido Udeur: Mastella é acusado, pela Magistratura, de participação em sete crimes, um deles por corrupção. Sua esposa, que também faz política partidária, é acusada de crime de concussão, e está em prisão domiciliar.



Pois bem. Mastella foi forçada a deixar o ministério da Justiça, depois do escândalo judiciário. Pouco tempo antes e em outro caso criminal, Mastella já estava na mira do ministério Público e, logo que percebeu, teve o “caradurismo” de pedir, junto ao Conselho Nacional de Justiça, a transferência do procurador de Justiça de Catanzaro, De Magistris, de uma apuração que estava envolvido.



Mastella, como declarou, achou que o premier Romano Prodi, -- presidente do Conselho de Ministros---, não brecou a Magistratura, como deveria. Em síntese, Mastella deixou o ministério e antecipou a crise que levou à renúncia de Prodi, depois de reprovado pelo Senado.



O meridional Mastella (nasceu no Sul da Itália) controla o Udeur, sigla partidária pretensiosa, a significar uma união de democratas europeus. Na realidade, um partido a agregar direitistas provindos da velha democracia cristã e e centristas.



O nanico partido de Mastella, no Senado, conta com quatro senadores. Dado o equilíbrio de forças entre os grandes partido, tornou-se o Udeur, sempre no Senado, o “fiel da balança”.



Com a queda de Mastella do ministério da Justiça, o seu Udeur deixou a coligação, -- de partidos de centro e de esquerda--, que sustentavam o governo do premier Romano Prodi.



Em razão da saída do Udeur, o premier Prodi resolveu submeter à Câmara (onde tinha maioria) e ao Senado (sempre difícil de se prever em face de defecções e repentinas inclinações para os direitistas, neo-fascistas e separatistas) uma moção de confiança (“la fiducia”) para continuar a governar.



Prodi venceu folgadamente na Câmara, ou melhor, recebeu o voto de confiança.



No senado, a diferença foi feita pelos senadores do Udeur, incluído Mastella (votou pela desconfiança no governo que acabará deixar). O único senador do Udeur, Stefano Cusumano, que votou favoravelmente ao governo Prodi foi agredido, física e verbalmente. O senador Tommaso Barbato, por exemplo, cuspiu no rosto de Cusumano, além de chamá-lo de pedaço de merda (pezzo di merda). Cusumano desmaiou e foi tirado de maca da plenária.



Com os senadores liderados por Mastella, mais os do grupo do ex-ministro Dini, --ao qual se aliou o senador Fisichella--, e a algumas ausências, dentre elas de Giuglio Andreotti (7 vezes primeiro ministro, senador vitalício e condenado por associação mafioso, com a prescrição a salva-lo da cadeia), Prodi caiu: 161 votos contrários à moção de confiança (fidúcia) e 156 a favor.

O espírito mafioso da vantagem, acrescido da vendetta pessoal de Mastella, derrubaram o governo do sério e honrado primeiro-ministro Prodi : ele um homem de centro, que no curricum tem apenas a mácula de ter sido do Partido da Democracia Cristã, que dominou a política italiana pós segunda-guerra e até 1992, quando começou a Operação Mãos Limpas.



Dada a sua pequinês, não física evidentemente (Mastella é um gordo, do tipo comedor de “mortadella”, com baba no canto da boca e gordura nas mãos durante todo o dia), o ex-ministro da Justiça abriu a porta para novas eleições e a provável volta do grupo liderado pelo grotesco Silvio Berlusconi.

PANO RÁPIDO: “Povera Itália”. E catando conclusões do escrito de primeira página do Corriere della Sera de hoje, artigo da lavra de Dario di Vinco, o desconcerto da população é grande.


A respeito do desconcerto, é bom lembrar:
1) o lixo acumulado pelas ruas de Napoli,


2) as discussões sobre a reação universitária que proibiu o papa de dar conferência na Sapienza ( universidade pública com 705 anos de vida),


3) permanentes conflitos entre ministros e que são expostos todas as noites em programas televisivos,


4) negociações escusas com senadores para negociar os seus votos ou as suas abstenções,

5) etc, etc, etc.

-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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FEDERAÇÃO DA COCAÍNA: nova estratégia dos cartéis.





Alfredo Beltran Leya (El Mochomo) do potente cartel mexicano de Sinaloa, preso neste 2008.




FEDERAÇÃO DA COCAÍNA: nova estratégia dos cartéis.





1.Ontem, tive acesso a informações sobre a formação, pelos cartéis colombianos, de uma “Federação da Cocaína” para melhor operar no mercado das drogas ilícitas e de abuso. Com as informações veio um pedido, pelo órgão europeu sediado em Roma e para o qual trabalho, de uma “análise de situação”. Como a análise é longa, dela tirei um resumo, que estou a divulgar, depois de autorizado.




A análise segue abaixo. Boa leitura e aguardo os seus comentários, caro leitor deste modesto blog.





2.Um relatório secreto do governo norte-americano mostra que quatro potentes cartéis mexicanos unem-se a formar uma "federação".


Os chefões dos quatro grupos batizaram a união com o nome de "Federacion", formada pelos cartéis de Sinaloa, Milênio, Juarez e Guadalajara.


Esses quatro cartéis mexicanos são responsáveis, segundo observadores do fenômeno das drogas, pelo envio de 66% da cocaína que, pela fronteira e mar (Golfo do México), chega aos EUA.


A idéia de uma federação formada por quatro potentes associações criminosas partiu do megatraficante Joaquin Gusman Loera que é o chefão do cartel Sinaloa.


A gota-d'água deveu-se às recentes prisões de operadores e chefes de cartéis co-irmãos. Dentre elas a de Alfredo Beltran Leya, um dos fortes operadores do cartel de Sinaloa, e de Juan Carlos Abadia - este a serviço, no Brasil, do co-irmão cartel colombiano do Vale Norte.


Os quatro cartéis mexicanos reunidos em federação dedicam-se, mais intensamente, a enviar a cocaína de procedência colombiana para o mercado consumidor norte-americano.


Com a união em federação, deverão operar mais intensamente as redes num imenso espaço formado entre a cidade de Juarez (fronteira com a americana El Passo) e a península de Yucatán, no Golfo do México.


O lado do Pacífico ainda ficará sob domínio do cartel de Tijuana, sediado na cidade do mesmo nome e que faz fronteira com a norte-americana San Diego. O cartel de Tijuana controla o tráfego pelo Golfo da Califórnia e ainda não se interessou em ingressar na "Federacion".


PANO DE FUNDO.


Por não mais interessar ao jogo geoestratégico da dupla Bush-Uribe, a agência DEA (Drug Enforcement Administration) recebeu sinal verde, a partir de setembro de 2007, para desmontar o colombiano Cartel do Vale Norte e os cartéis mexicanos a ele coligados. Ou seja, cartéis responsáveis pela cocaína que invade as fronteiras dos EUA, via México.


Frise-se: o colombiano Cartel do Vale Norte era o responsável por grande parte do financiamento dos paramilitares das AUC (Autodefensas Unidas de Colômbia). E as AUC, de ideologia de direita, combatiam as Farc (Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colômbia) e o Exército de Libertação Nacional (ELN), ambos de esquerda. Daí, a liberdade, durante doze anos, de Diego Montoya Sanches (Don Diego), chefão do Cartel do Vale Norte.


Com o processo de pacificação do governo Uribe, vários paramilitares da AUC depuseram as armas, passaram para a legalidade e saíram das listas de extradições. Assim, cessou o financiamento do Vale Norte, que, em troca, tinha facilidade em enviar cocaína para os cartéis mexicanos.


O fim do interesse norte-americano em suportar o Cartel do Vale Norte ocorre a partir de agosto de 2007. E a DEA (Drug Enforcemente Administration) entrou em ação para executar, a contar de setembro de 2007, o plano para desmonte do cartel do vale Norte e os seus coligados mexicanos.


O DESMONTE .


No final do ano de 2007 e janeiro de 2008, ocorreram duas importantes prisões no México. A primeira foi de Sandra Ávila Beltran, nascida em Tijuana, e apelidada "A Rainha da Cocaína". A segunda foi de Alfredo Beltran Leya, do cartel mexicano de Sinaloa . Alfredo, apelidado Mochomo, foi preso neste mês de janeiro..


A essas prisões se deve acrescentar, a partir de setembro de 2007, a de Juan Carlos Abadia, no Brasil e, na Colômbia, de Diego Montoya Sanches (Don Diego) e de Diego Espinosa Ramirez (El Tigre).


Para se entender o quadro: Sandra é da família Beltran, do cartel de Sinaloa. Ela deixou o cartel de Sinaloa, sem rompimento, e montou o seu próprio cartel, que levou o nome de cartel de Jalisco.


Por sua vez, Beltran Leyva é operador do cartel de Sinaloa. O cartel mexicano de Sinaloa recebia cocaína do colombiano cartel do Vale Norte.


Sandra, a Rainha da Cocaína, era amasiada com o colombiano Diego Espinoza Ramires, apelidado de El Tigre. O amásio de Sandra era o segundo operador, até ser preso, do Cartel do Vale Norte.


Em face das prisões, quer de colombianos (final de 2007: Abadia, Montoya Sanches - chefão do Vale Norte - e El Tigre), quer mexicanos (final de 2007: Beltran Leyva e Sandra Beltran), levou à constituição da "Federação" de cartelitos mexicanos.


Em resumo: começou o pós-Abadia, ou seja, a união de cartéis em federação. Uma reação ao desmonte que a interesseira DEA resolveu executar, depois de muitos anos de tolerância e de toneladas de cocaína no mercado norte-americano.


-Wálter Fanganiello Maierovitch-




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POLÍCIA SOB SUSPEITA: tropas do exército invadem quartéis.









O presidente mexicano Felipe Calderon prometeu,-- durante a sua campanha eleitoral de 2006--, acabar com os potentes cartéis que, do Golfo da Califórnia ao Golfo do México, realizam o tráfico de cocaína, internamente e para os EUA.



Imediatamente após a sua posse ocorrida em dezembro de 2006, e ainda com legitimação posta em dúvida por fraude nas apurações, Calderon deu início à Guerra às Drogas, com apoio dos EUA.



A operação bélica de confronto armado contra os cartéis empolgou, a princípio, a população mexicana, conforme revelaram os institutos de pesquisas. Com a aprovação alta, o governo sob suspeita de fraude levantada pelo opositor Lopes Obrador, conquistou apoio popular que chegou à casa de 70% de aprovação.



Passado o primeiro ano de governo, verificou-se, --conforme já informado em “post” deste modesto blog--, um aumento na violência e nos homicídios relacionados ao fenômeno das drogas.



Com grande parte da polícia a soldo do narcotráfico, Calderon, em algumas cidades médias, mandou desarmá-las.



A grande surpresa na Guerra às Drogas ocorreu ontem. Depois de demitir o ministro do Interior (pasta da segurança pública), Calderon deu sinal verde ao novo ministro, Juan Camilo Mourino, a fim de realizar uma operação inédita.



Por ordem de Calderon, o Exército invadiu vários quartéis da polícia e apreendeu inúmeras armas de fogo. A suspeita é de que os policiais emprestavam as armas para os traficantes.


As armas apreendidas foram encaminhadas para a perícia a fim de precisar períodos de uso e desgastes.



Pelas suspeitas, policiais da região da Baixa Califórnia cediam suas armas para traficantes do potente Cartel de Tijuana. Esse cartel leva o nome da cidade que faz fronteira com a norte-americana San Diego.



Os quartéis onde ocorreram as apreensões estão localizados nas cidade de Nuovo Laredo, Matamoros, Miguel Aleman, Valle Hermoso, Rio Bravo e Reynosa.



PANO RÁPIDO. O presidente Calderon utiliza o Exército porque as policias, em vários estados, foram corrompidas pelo narcotráfico.

Para não esquecer, o ex-presidente Vicente Fox, antecessor de Calderon, nomeou o general-de-exército Gutierrez Rebolo para a secretaria de repressão às drogas da presidência do México.



O general Rebolo foi preso e condenado por ter sido corrompido pelo cartel de Tijuana. Quando interrogado disse que precisa de dinheiro pois tinha várias amantes. Esclareceu que ficava caro manter as Casas Chicas , ou seja, as casas das amantes.



Em Viena, no ano de 1999, participei, no escritório das Nações Unidas, de uma reunião onde o tal general Rebolo era o mais entusiasta defensor de um plano mundial de repressão às drogas. Puro jogo de cena, como se descobriu bem depois.

-Wálter Fanganiello Maierovitch-


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Governador da Sicília condenado por favorecer mafiosos é só alegria.








Salvatore Cuffaro, que pela segunda vez governa a Sicília (presidente della Regione Sicília), recebeu a pesada pena de cinco (5) anos de reclusão. Foi condenado por crime de favorecimento chefões mafiosos: “ prestar a criminoso auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime.



O incrível é que saiu da sessão de julgamento comemorando a sentença. Depois dessa condenação, sustentou, “não renunciarei ao governo da Sicília”.



Afinal, alguém pode se alegrar com uma condenação pesada e por favorecer interesses de mafiosos ?



Cuffaro, na sua trajetória política, sempre exalou odor de máfia. Na última eleição, concorreu e venceu Rita Borselino, a irmã do juiz Paolo Borselino, dinamitado pela máfia. Aliás, Cuffaro, no voto, conseguiu a reeleição.



Até as escadas do majestoso e belíssimo teatro Massimo de Palermo sabem que a máfia, na última eleição, tinha Cuffaro como candidato. Dentre outras coisas, Cuffaro representava a certeza de que mafiosos continuariam a ter privilégios junto à administração pública regional.



Pois bem. Cuffaro estava sendo acusado processualmente de autoria de crime de favorecimento, este agravado pelo fato de a contemplada ser a máfia. No caso, favorecer à organização mafiosa agrava (aumenta) a pena de qualquer crime.



Quando da condenação, os jurados tiraram a agravante. Ou seja, Cuffaro favoreceu ilegalmente alguém. Só que favoreceu mafiosos e não a máfia. Segundo a sentença, havia prova da intenção de favorecimento a pessoas certas, membros da máfia. E não existia prova de favorecimento à organização.
Cuffaro vibrou. Afinal, não favoreceu a máfia. Apenas, ajudou ilegalmente mafiosos. Nas entrevistas, exultante, dizia: “não sou mafioso, como ficou reconhecido”.



Hoje, um grupo de magistrados do ministério Público, que atuam junto ao Tribunal de Palermo, analisará os efeitos dessa condenação de Cuffaro, dada o envolvimento de chefões mafiosos. E a reunião para análise poderá concluir que Cuffaro deveria perder o posto degovernador, dada a visível quebra de decoro para continuar em função pública.



Se os membros do ministério Público entenderem ser caso de perda da função, pelas leis italianas, a conclusão dos promotores será encaminhada para o comissário do Estado e deste para a presidência do Conselho de ministros. Ou seja, cassação de Cuffaro.



Ao que parece, Cuffaro precipitou-se na comemoração, que é de imoralidade gritante. Jamais vista, fora do âmbito mafioso, é bom registrar.
Wálter Fanganiello Maierovitch



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Antimáfia: modelo de exportação.






Ontem em Cracóvia (Polônia) ocorreu a abertura do encontro de jovens contra as máfias e que reuniu 400 participantes.



O encontro, que vai durar cinco dias, foi organizado pela associação Libera, gestora de uma rede civil composta por 46 organizações de jovens dedicados a trabalhos voluntários ligados a disseminar uma cultura de paz, respeito a direitos humanos e contra as máfias. Essas 46 organização não governamentais estão espalhadas por 26 países.



As palestras e os debates versarão sobre os seguintes temas: máfias, drogas ilícitas, armas de fogo, ecocrimes, tráfego de pessoas.



Ao iniciar os trabalhos, um adolescente italiano, alertou: - “ Máfias e criminalidade organizada estão em toda parte, não conhecem limites”. Com suas palavras, repetia o saudoso juiz Giovanni Falcone, mártir da luta contra as máfias. Para Falcone, as máfias atuam sem limitação de fronteiras, daí a necessidade de cooperação internacional



A Associazione Libera, nascida em Torino (Itália), abriga o Grupo Abelle, fundado pelo festejado Don Luigi Ciutti . O Gruppo Abelle, dedica-se a um trabalho antimáfia desde 1995. A Libera cresceu a ponto de reunir mais de 1.300 operadores, todos envolvidos na execução do projeto denominado Liberdade, legalidade e direitos na Europa.



O encontro de Cracóvia agradou Franco Frattini, vice-presidente da Comissão Européia (órgão da União Européia). Ele chamou os jovens de “embaixadores itinerantes” e os convidou para um evento em Bruxelas, que ocorrerá no próximo mês de junho.



Pano Rápido. A obra de Don Ciotti é muito importante. Ele organiza as chamadas Caranas da Legalidade, que uma vez por ano pára numa cidade européia a fim de discutir temas importantes em praça pública. Em 23 de maio de 2007, a "Nave da Legalidade" atracou, com centenas de jovens da escola média, em Palermo. Foi para relembrar os aniversários de morte de Giovanni Falcone(maio de 1992) e Paolo Borselino (julho de 1992), juízes da antimáfia que morreram dinamitados pela Cosa Nostra.



Wálter Fanganiello Maierovitch.

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CHAVEZ admite uso diário de pasta-de-cocaína. Evo Morales seria o "traficante".






foto: Chavez e Morales.





A mastigação da folha de coca faz parte da cultura militar dos indígenas andinos. É um verdadeiro símblo de identicação cultural dos povos andinos.



Como frisou uma antropóloga da etnia aymará, a folha de coca acompanha os índios do nascimento à morte, estando presente em todos os rituais religiosos.



A folha de coca, quando mastigada, ajuda o indígena a enfrentar os problemas decorrentes da altitude nos Andes. Tira-lhe o cansaço. Serve como alimento dada possuir proteína e sais minerais. E é utilizada como remédio e, também, como anestésico.



Não foi sem causa que o presidente Evo Morales, em assembléia geral da ONU, exibiu uma folha de coca e pediu a sua exclusão da lista de drogas proibidas: as Nações Unidas confundem a folha de coca com o cloridrato de cocaína e, equivocadamente, a relacionam no elenco de substâncias proibidas.



A última novidade com relação à coca foi o discurso do presidente Hugo Chavez, ainda a aproveitar o episódio da liberação de duas reféns e o debate sobre as FARC como organização terrorista.



Chavez acaba de fazer a seguinte afirmação : Mastigo coca todo dia, de manhã e observem como estou”, ocasião que passou a exibir os músculos do braço.



Ainda no discurso, Chavez, -- um criador de factóides---, disse que recebe presentes de Evo Morales e de Fidel Castro . Do primeiro, a pasta-de-coca e, do segundo, o sorvete Coppelia.

Não percebeu Chavez que na elaboração da pasta de coca entram produtos químicos diversos a que potencializar o pricípio ativo. A pasta-de-coca é fumada como a pedra de crack, embora menos devastadora.



Em síntese, os andinos mastigam folha de coca e não utilizam jamais pasta-química de coca. Os viciados, por sua vez, usam o cloridrato de cocaína (por via injetável ou aspiração do pó) ou fumam a pasta-básica, chamada popularmente de “basuco”.



Se Chavez quis fazer graça, deu-se mal. Para os seus opositores, como por exemplo o professor de ciências políticas da Universidade de Caracas, Aníbal Romero, “Chavez está fora de controle”.



Pior. Como a pasta-de-coca é a primeira etapa do refino para se chegar ao cloridrato de cocaína, Chavez acaba por acusar, indiretamente e sem intenção. Evo Morales de traficante, ou seja, fornecedor de cocaína, em pasta-básica.



A pasta-básica de coca é prejudicial á saúde, pois concentra grande quantidade de precursores químicos, como éter e acetona. Quando esses dois produtos faltam, os químicos a serviço do tráfico fazem a substituição por cimento cinza, gasolina e querosene. Como se percebe, e Chavez não fuma e nem bebe, ele deve estar ascando a pasta. E o sabor deve ser delicioso, em especial quando utilizados cimento, gasolina e querosene.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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Confira o e.mail abaixo.

1. Não podemos fazer ilações maliciosas. Por exemplo: o presidente Lula é um grande incentivador do etanol para uso automotivo mas isso não quer dizer que ele seja um consumidor de bebidas alcoólicas. Longe disso!

Salvador de Farias | 22/01/08 00:16:45





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A FATURA PAPAL E O JOGO DE CENA POLÍTICA







Só para lembrar. Os professores e os alunos na universidade pública La Sapienza, -- uma universidade que tem 705 anos de vida---, protestaram e revelaram disposição de impedir a visita e a conferência de abertura do ano-letivo, pelo papa Ratzinger. Tudo estava marcada para a última quinta feira, 17 de janeiro.


O papa cancelou a visita à Sapienza e, por iniciativa do cardeal Ruiini, foi feita uma convocação de fiéis e não credentes em solidariedade ao papa Bento XVI. O apontamento ficou por ocasião da recitação domenical do Ângelus, na praça São Pedro.


Pois bem. Mais de 100 mil pessoas compareceram, no domingo 20 e ao meio-dia, para se solidarizar com o papa Ratzinger.


Como o eleitorado italiano é predominantemente católico, a praça São Pedro estava lotada de políticos. Lógico, para faturar votos.


Com a praça cheia e telão colocado na principal praça de Milão, --coração financeiro da Itália--, a Igreja mostrou sua musculatura, ou melhor, sua força. Em Milão, 34 mil pessoas assistiram o ato, pelo telão da praça onde se ergue a magnífica catedral gótica da cidade.


Para aproveitar o momento, -- e com sutileza relembrar a intolerância dos estudantes da Sapienza --, o papa convidou a todos para a construção de uma “sociedade tolerante e fraterna”, isto por meio do a diálogo. Ganhou três minutos de aplausos ininterruptos.


Com isso, encerra-se o jogo de braço entre universitários, ---apoiados por professores liderados pelo matemático Carlo Bernardini--, e a Igreja, representada pelo papa.


No domingo, percebeu-se o papa a encarnar o papel de vítima, a faturar politicamente e a apresentar um discurso politicamente correto. Aliás, em bom-momento, pois muitas das posições de Ratzinger representam uma volta à Idade Média, ou, para usar de um italianismo, ao medioevo.


Wálter Fanganiello Maierovitch



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Fundamentalismo Islâmico e Radicalismo Nacionalista: "Deixe-me jogar em paz".





foto Sania Mirza, fatwa de morte.



Sania Mirza é uma idiana de 21 anos. Ela está entre as melhores tenistas do mundo: ocupa a 31ª. posição no ranking.



Mirza recebeu de islâmicos radicais uma fatwa , ou seja, sentença de condenação à morte. Isto porque joga de calção e, portanto, exige as pernas.



Sania Mirza é islâmica e vem sempre criticada por se apresentar com roupas européias, consideradas sensuais pelos fundamentalistas.



Como se não bastassem os radicais islâmicos, Mirza, nesta semana, foi alvo dos nacionalistas indianos.



De postura fascista, esses nacionalistas querem a morte de Mirza. Sem perceber, ela, para descansar, apoiou os pés descalços em cima de uma mesa e, na extremidade, havia uma bandeirola da índia.



Como foi fotografada inocentemente por uma agência européia, bastou isso para os nacionalistas acusarem Mirza de desrespeito à bandeira. Pena: morte.



Entre lágrimas, Mirza desabafou: Deixe-me jogar em paz.



Pano Rápido: os radicais querem uma Mirza transformada em sexy-tenista , para matá-la e se transformarem nos fiscais, -- eleitos por Alá--, da moralidade.

Wálter Fanganiello Maierovitch.




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A Lista de Carla, a Peste.






Para o final de semana, preparei um artigo para a revista Carta Capital. Falo sobre Carla del Ponte, o Tribunal Penal Internacional e a geopolítica nos Balcãs. Confira, abaixo.



1.Depois de oito anos à frente do comando das investigações e dos processos acusatórios no Tribunal Penal Internacional (TPI), Carla del Ponte chegará a Buenos Aires como embaixadora da Suíça, no dia 3 de fevereiro.



Mulher-símbolo na luta contra os maiores facínoras da humanidade e com sentença de morte decretada em 1989 pela Cosa Nostra, Carla permanecerá no cargo por três anos.



Na bagagem, trará a sua imperdível obra intitulada Carla’s List (ou A Lista de Carla), que acaba de ser lançada nos EUA. A Lista de Carla é um livro-documentário sobre o seu trabalho como procuradora-geral do TPI, sediado em Haia (Holanda). O tribunal das Nações Unidas foi instituído, com 120 votos a favor e 7 contrários, pelo Tratado de Roma, em 18 de julho de 1998.



O TPI tem competência para apurar e julgar os crimes de genocídio, de guerra, contra a humanidade e de agressão internacional. Pela competência, fica claro o motivo pelo qual sete países, dentre eles EUA e China, votaram contra a criação do tribunal e não estão sujeitos à sua jurisdição.



O livro-documentário traz os mais de 200 processos e investigações conduzidos por Carla. Vale recordar que o seu principal acusado foi Slobodan Milosevic, ex-presidente da ex-Iugoslávia e promotor da chamada limpeza étnica nos Bálcãs. Em cárcere na Holanda, decorrente de mandado internacional expedido pelo TPI, o “Carniceiro dos Bálcãs” morreu dois meses antes do fim do seu julgamento.



Ao terminar o mandato, Carla del Ponte saiu atirando do TPI. Apesar de todos os esforços e pressões, incluídas as mais de 20 viagens a Belgrado, ela não conseguiu que o governo da Sérvia prendesse e entregasse ao TPI os genocidas Ratko Mladic, general sérvio, e o líder nacionalista-fascista Radovan Karadzic, mentor da construção da Grande Sérvia. Foragido, ele conseguiu publicar e difundir um livro de poesias.



Nascida na cidade suíça de Lugano em 1947, Carla, na saída do TPI, soltou uma frase indignada: “Belgrado não merece nada”. Por trás da frase está o jogo geopolítico internacional das potências voltado ao apoio ao atual governo sérvio, que luta para se manter nas eleições deste mês de janeiro.



Claro, o atual governo não quer desgostar os extremistas-nacionalistas, que escondem os assassinos Mladic e Karadzic. Por outro lado, a Sérvia tem apoio de vários países europeus para entrar para a União Européia (UE). O desejo de ser aceita na UE e o fato de não querer prender e entregar Mladic e Karadzic tornam o país, num contexto da geoestratégia, frágil nas negociações e pronto a não resistir à independência do atual enclave do Kosovo.



A propósito, na reunião de fim de ano do vértice da UE, os Estados membros, sob a presidência de turno de José Sócrates (primeiro-ministro de Portugal), fecharam questão. Por acordo secreto, mas que já vazou, querem a independência do Kosovo.



Pela estratégia secreta, entre janeiro e fevereiro, o Kosovo proclamará, unilateralmente, a sua independência e, imediatamente, será reconhecido por França, Grã-Bretanha, Alemanha e Itália.



De quebra, no último encontro de 2007, o vértice da UE entendeu que o “Kosovo é uma questão européia”. Por isso, prorrogou a missão de garantia de paz, agora com 1,8 mil soldados. Homens que assegurarão, caso necessário, o uso de força na tramada independência do Kosovo.



Para Carla del Ponte, toda a pressão deveria ser no sentido de o governo da Sérvia prender e entregar ao TPI, para julgamento, os facínoras Mladic e Karadzic.
Como deixou claro, Carla preferia a embaixada em Roma do que a de Buenos Aires, mas o atual ministro da Justiça da Confederação Helvética, de um governo direitista recém-eleito, alegou que ficaria muito caro manter a sua reforçada escolta.



No fundo, uma desculpa diplomática para não deixar ecoar a voz de Carla em Roma. Ela já havia acusado o premier italiano, Romano Prodi, de ter se recusado a recebê-la para tratar de pressão sobre a Sérvia: “Prodi me evitou. Durante um ano tentei encontrá-lo, mas sem sucesso. Ele disse que não tinha tempo para me receber. Estava claro que já tinha se acertado com os sérvios”. Há que se observar que Prodi, que já foi comissário europeu, patrocina o ingresso da Sérvia na UE.



Nos anos 80, a Justiça italiana descobriu que os chefões mafiosos apelidaram Carla del Ponte, então juíza de instrução na Confederação Helvética, de Carlita La Peste. E mandaram matá-la.



É que Carlita La Peste, na famosa Operação Pizza Connection, que até virou filme, descobriu que o dinheiro sujo do intenso tráfico de drogas ilícitas entre Itália e EUA, operado pela Máfia siciliana e a Cosa Nostra sículo-americana, era reciclado em bancos suíços. Mandou apreender tudo. Foi um dos maiores desfalques patrimoniais já experimentados pela Cosa Nostra.


Wálter Fanganiello Maierovitch.



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CONFIRA o comentário enviado.



1. Maierovitch,

O realismo das notícias veiculadas por você, faz a gente botar o pé no chão. Nem sempre o Bem ganha. E parece que isso é a “ponta do Iceberg”. O mau faz uma competição pela crueldade, pelo sadismo. E engana e ilude os do Bem, contando historinhas para justificar suas ações.


Em geral parte-se da premissa que tudo está muito claro e que o outro lado não precisa sequer ser ouvido. Em seguida pode-se desvirtuar as investigações. E POR FIM TEM A POSSIBILIDADE DE SE FAZER UM ACORDO POLÍTICO ESCUSO E ABAFAR TUDO. Estamos precisando de mais juízes como Carla del Ponte. Aqui no Brasil tem o juiz federal de nome Odilon no Mato Grosso do Sul, um outro juiz federal aqui no Rio que condenou vários, tem também a juíza Denise Frossard que já se aposentou.


A nossa Justiça pode ser melhor que isso. Ou nossa Justiça é totalmente ineficiente e monárquica. Ou, por outro lado, também não sabe fazer propaganda dos seus feitos.

kirkfan | E - mail | 20/01/08 09:57:05



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O DESAGRAVO AO PAPA E O DAR A OUTRA FACE.






Os estudantes da universidade pública (laica) La Sapienza, durante toda a semana, protestaram contra a visita do papa Bento XVI, marcada para hoje.



O papa Ratzinger estava convidado, pelo reitor, para visitar o ateneu universitário e promover a conferência magna de abertura do Ano Acadêmico: vide post abaixo.



O protesto evoluiu para a resistência, com ameaças de barricadas a fim de impedir o ingresso do papa. E, caso entrasse, a saída do pontífice seria impedida, segundo ameaças dos estudantes.



Dos muitos cartazes afixados pelos universitários, o da fachada chamou a atenção: “Cun Gaudium Magnum, Non Habemos Papam” (com grande alegria, não temos papa).



Ontem, o papa comunicou que não compareceria à universidade da sabedoria, La Sapienza.



O cardeal Ruini, vicário de Roma, explicou que o papa renunciou à visita “ porque não existiam as condições mínimas para um encontro construtivo, amigável e digno e não foi uma decisão apenas unilateral”



A essa altura dá para imaginar que, caso tivesse ocorrido a visita, a polícia seria chamada e o confronto seria inevitável, tal a radicalização dos estudantes.



O papa Ratzinger não compareceu, mas enviou, por escrito, o texto da sua conferência, com de citações de Sócrates, Aristóteles e Rawis. A propósito, pode-se não se gostar do posicionamento intelectual de Ratzinger, mas é indiscutível o seu grande preparo intelectual.



PARÊNTESE Lógico que prefiro ler João XXIII, que não chegava aos pés em preparo a Ratzinger mas, em sensibilidade e visão humanista, deixava-o anos-luz de distância. FECHADO PARÊNTESE.



O reitor da universidade La Sapienza promoveu a sessão de abertura do Ano Acadêmico e o texto de Ratzinger, um ex-professor docente, foi lido integralmente.
Em pílulas, estão sendo divulgados algumas conclusões tiradas do texto de Ratzinger. Algo como a admitir que na história cristã ocorreram erros, mas existe uma linha de verdade útil à convivência humana.



No Observatório Romano, “diário oficial” do Vaticano, está estampado que a solidariedade recebida pelo papa, de diversos setores da sociedade, representou “um gesto sincero e nobre que atenua em parte o incidente”. Sabe-se que o ex-comunista Giorgio Napolitano, presidente da Itália, solidarizou-se com o papa e criticou a intolerância dos universitários.



Evidente que num estado-laico, de separação entre Estado e Igreja, não cabe a intolerância e soa, entre universitários, preocupante o radicalismo anticlerical e as posturas contrárias ao pluralismo e à liberdade de expressão, que são valores fundamentais do Estado-democrático.



Com efeito, o supracitado cardeal Ruini convidou, -- crentes e não crentes---, para comparecerem à praça de São Pedro para uma manifestação em solidariedade (na verdade, desagravo) ao papa. Será no domingo ao meio-dia, quando da recitação do “Ângelus”, pelo papa Bento XVI e da janela da sua residência.



O desagravo não me agrada. Na doutrina de Cristo tem a recomendação, --dificílima aliás--, para se oferecer a outra face. Pelo jeito, começou, nas hostes vaticanas, a exploração mídiática, propagandística, que teve em João Paulo II, respeitosamente, um grande marqueteiro.


Wálter Fanganiello Maierovitch.



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COCAÍNA. TOP SECRET.Narcos latino-americanos driblaram as polícias dos EUA em 2007. Queda nas apreensões em 50 toneladas.







Pelos relatos dos 007, o czar antidrogas da Casa Branca, John Walthers, está enfurecido.



Na tarde de ontem, ele recebeu o relatório de fechamento do ano de 2007. No item relativo à cocaína latino-americana que ingressa nos EUA, o czar Walthers, teve que engolir um sapo. Pelo seu mal humor, engoliu sem direito de cortar as unhas do batráquio.



O relatório mostrava que as polícias em 2007, -- e feita a comparação com o ano anterior de 2006--, tinham apreendido menos cocaína procedente da América Latina. Ou seja, em 2007 realizaram o seqüestro de 210 toneladas de cocaína latino-americana. Em 2006, foram 260 toneladas. Em resumo, em 2007 as polícias apreenderam 50 toneladas a menos de cocaína procedente da América Latina.



O motivo justificador foi exposto ao czar pela polícia costeira-marítma , órgão que apresentou menor produtividade.



Informou a polícia de patrulhamento marítimo que os traficantes latino-americanos de cocaína mudaram o “modus operandi”.



Em 2007, driblaram a polícia-costeira usando embarcações bem menores que anteriormente. E as pequenas embarcações, carregadas de cocaína, se enfiam, como que a costurar--, entre grupos formados por naves maiores ( e alvos da polícia) e sem cocaína nos porões.



PANO RÁPIDO A polícia marítima só não explicou quanto tempo levou para perceber como eram aplicados os dribles feitos pelas pequenas embarcações. Uma coisa é certa: tomaram vários dribles dos narcos-latinos e, pelo contabilizado, 50 toneladas de cocaína a mais recebeu o mercado das compulsivas narinas e das contaminadas seringas.



Wálter Fanganiello Maierovitch.



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Bento XVI reprovado por universitários da La Sapienza.






Na próxima quinta-feira, o papa Bento XVI tinha um convite para visitar e proferir uma conferência na Universidade La Sapienza, de Roma.



Tudo estava acertado, até o delocamento do Vaticano para o coração de Roma.



A La Sapienza é uma universidade pública e, portanto, laica. Sempre representou uma conquista, ao meio de tantas outras pontifícias, católicas.



Os estudantes da Sapienza revoltaram-se com o convite do reitor feito a Bento XVI.



Vetaram o papa Ratizinger. Explicaram que consideram as posições do papa Ratzinger inaceitáveis com relação a vários temas contemporâneos, dentre eles o aborto.



Desde segunda-feira passada, na volta às aulas, os universitários realizam barulhentos protestos, com faixas e cartazes pregados nas janelas e muros do estabelecimento.



Começou-se a falar em piquetes para impedir a entrada de Ratzinger e, também, em mantê-lo como refém, dentro da universidade. As televisões deram plantões na frente da La Sapienza e os jornais repercutiram e abriram espaços para manifestações diversas, a favor ou contra os universitários.



A postura dos universitários suscitou debates acalorados na sociedade. O premier Romano Prodi achou a atuação dos universitários desrespeitosa e indigna.



Hoje, o papa Bento XVI suspendeu a visita de amanhã à Sapienza. Alegou questão de segurança, mas, na verdade, quis evitar constrangimentos até para o governo laico italiano.



Para o mal-avisado, trata-se de uma vitória do laicismo. Mais ainda, uma vitória do científico sobre o religioso. Algo, assim, a arrancar aplausos da estátua de Giordano Bruno (queimado pela Igreja por suas posições consideradas eréticas), na praça chamada Campo dei Fiori

Nada mais equivocado e surpreendente pelo desconhecimento de valores constitucionais de sustentação de um estado-laico, não religioso.



Na La Sapienza venceu o laico-arrogante, radical, intolerante com a liberdade de exteriorizar o pensamento, de se comunicar.



Não tenho nenhuma simpatia pela postura conservadora de Ratzinger, mas o respeito e sei tratar-se de ter tido uma vida dedicada aos estudos e a busca do conhecimento. É legitimo que se manifeste. Ainda mais quando convidados para conferência e visita a uma universidade. Àqueles universitário desinteressado, no caso da Sapienza, bastava não comparecer.



Os universitários que conseguiram barrar o papa não agiram com sabedoria, não honraram as tradições da velha universidade La Sapienza. Pior, esqueceram os valores fundamentais de um Estado democrático de direito.



Lamentável intolerãncia.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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Megatraficante Abadia quis comprar a Justiça brasileira.







O traficante Juan Carlos Ramírez Abadia, megaoperador do colombiano Cartel do Vale Norte, ofereceu, em troca de algumas informações sobre comparsas, de benefícios para a esposa e para ele, entregar à Justiça US$ 35 milhões. Nada de cheque, em cédulas que estariam no Brasil.



Trata-se de pedido inédito.



O mafioso e traficante Tommaso Buscetta quis o contrário de Abadia. Ou seja, delatar os mafiosos de Corleone que tomaram o poder do grupo palermitano de Buscetta, mataram os seus familiares e levaram-no a se “exilar” no Rio de Janeiro. Buscetta pediu, e conseguiu, ter seu pequeno patrimônio preservado.



O direito premial foi intuído no século XIX por Rudolf Von Hiering, um jurista alemão. Grosso modo, Hiering disse que a escalada criminal e incapacidade apuratória do Estado levariam este, no interesse maior da sociedade , a oferecer prêmio ao delator.



Como se percebe, o interesse público é que dá o norte numa negociação criminal, chamada de “play bargaining” ou, também, de delação premiada.



No caso de Abadia, ele pretende, basicamente, ser extraditado para os EUA onde, também, existe o direito premial. Certamente, já acertou tudo com a DEA, que é a agência norte-americana antidrogas e que informou a polícia brasileira sobre a presença de Abadia no nosso país.



Abadia, seguramente, conhece a barganha realizada, nos EUA, pelos irmãos Ochoa, sócios de Pablo Escobar no cartel de Medellín. Foi “um grande negócio para os então extraditados.



Os Ochoa entregaram um monte de traficantes, revelaram rotas do tráfico e nomes de autoridades corruptas. Hoje, com o patrimônio preservado pela barganha feita com a Justiça dos EUA, e depois de breve permanência em prisões norte-americanas, são, em gigantesca fazenda, prósperos criadores de gado de raça e de cavalos de sangue na Colômbia. São potentes na área da agro-indústria.



Abadia ofereceu-se a delatar comparsas que estariam foro do país, ou seja, inalcançáveis pela polícia brasileira. E colocou à disposição dinheiro, para conseguir ficar livre da punição que merece. Em outras palavras, para Abadia, a Justiça brasileira tem seu preço.



Como ele ofereceu US$ 35 milhões, escondidos no Brasil, caberá a polícia, a partir da revelação de Abadia, iniciar o “fallow the money” , ou seja, correr atrás dos dólares.

Wálter Fanganiello Maierovitch.




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Ópio afegão para a Indústria farmacêutica.







foto: campo de papoula afegão.




plantio legal de papoula.



Na Ilíada, Homero (séc.VII aC) falava de uma droga natural para tirar as dores, ou seja, referia-se ao ópio.



O termo ópio provém do grego, a significar suco. No caso, o suco da papoula, extraído mediante incisão na cápsula de sustentação da papoula. Do ópio deriva a morfina. O nome provém de Morfeu, o deus do sono e isto porque essa droga é depressora do sistema nervoso centra, a causar sono e a inibir a dor física.



Os asiáticos sempre foram grande produtores de ópio. E por interesse na exploração comercial exclusiva do ópio, a Inglaterra proveu duas guerras contra a China: “Guerra do Ópio”



O Triângulo do Ouro, formado por Myanmar, Tailândia e Laos, já foi o primeiro centro mundial de plantio e oferta de ópio, morfina-básica e heroína. Graças às realizações de projetos de culturas substitutivas ao ópio, as áreas de cultivo da papoula ficaram reduzidas e a oferta de ópio baixou significativamente.



No Afeganistão, ao tempo dos talebans e do mula Omar na chefia do poder de estado, ocorreram reduções de oferta, com projeto de apoiado pela ONU. O cultivo da papoula para o fornecimento de ópio, no entanto, aumentou significativamente depois que as tropas da Nato derrubaram o governo taleban, em 2001.



O Afeganistão é considerado um narcoestado, com seu produto interno bruto a depender do mercado do ópio. O comercio ilegal de ópio representa 52% do pib ( produto interno bruto) do Afeganistão.

Na semana passada, o papa Bento XVI pediu solução para o problema do ópio no Afeganistão, maior produtor mundial. O premier britânico propôs verbas para comprar a produção do ópio, extraídas em regiões tribais. A compra seria pela indústria farmacêutica, que, normalmente, adquire o produto para emprego médico-hospitalar.



Acontece que a indústria farmacêutica já compra o ópio da Índia, Turquia, França e Austrália. Adquire 400 toneladas-ano.



O Afeganistão, sozinho, produz muito mais. Ou seja, 6 mil tonelas de ópio.



O ópio no Afeganistão entra até como dote da noiva nos casamentos. Pelas famílias, é usado como medicamento. Por outro lado, serve para sustentar economicamente os talebans e os “senhores da guerra”, que são os chefes tribais.



PANO RÁPIDO : o sociólogo Pino Arlacchi, que já dirigiu o escritório de drogas da ONU e foi vice de Koff Annan, advertiu:
“ Os cultivos alternativos representam o único modo para resolver o problema. Até agora não funcionou porque os EUA de Bush fizeram um acordo tácito com os Senhores da Guerra, deixando-lhes livres para ganhar dinheiro com o ópio.”



A respeito, Arlacchi quis dizer que o governo Bush deixa os chefes-tribais cultivarem campos de papoula para extrair e vender o ópio. Evidentemente, em troca de apoio contra os talebans.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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Sistema Mafioso na Alemanha: acordo entre Alemanha e Itália.




Muitos antes do tratado de Maastricht, do Mercosul e da ALCA, a criminalidade organizada de matriz mafiosa já praticava o “mercado-aberto”, ou seja, operava sem limitações de fronteiras.



O falecido juiz Giovanni Falcone , dinamitado pela Máfia siciliana (Cosa Nostra) em 1992, alertava, , para a necessidade da cooperação internacional, pois a criminalidade não observava barreiras de fronteiras.



A polícia criminal alemã, conhecida pela abreviatura de Bka, nunca acreditou nisso e influenciou os governos de que a máfia não estaria presente na Alemanha.



No ano passado, no entanto, os alemães verificaram que a `NDrangheta (Máfia da Calábria) movimentara cifras incríveis na bolsa de valores de Frankfurt .



Descobriram, também, que o capo-mafia Bernardo Provenzano ( ficou foragido 43 anos sem sair da Sicília) tinha um irmão que morava na Alemanha e lavava dinheiro para ele.



Mais ainda, quando os sumidos filhos de Provenzano, preso em abril de 2006, retornaram à siciliana cidade de Corleone com a mãe, verificou-se que a primeira língua que falavam era o alemão e não o italiano.



Com o massacre em 2007 na cidade alemã de Duisburg , -- num acerto de contas entre membros da ´NDrangheta ocorrido defronte ao restaurante chamado Da Bruno--, a polícia alemã resolveu aprofundar as investigações e concluiu ter razão o falecido juiz Falcone. Em outras palavras, o sistema mafioso era operante na Alemanha e a cooperação internacional necessária.



A polícia criminal alemã e os 007 do serviço secreto tedesco descobriram que, nos anos 90, depois da queda do Muro de Berlim, as máfias (Cosa Nostra e `NDrangheta) investiram pesado na ex- Alemanha Oriental: compraram imóveis, lojas, restaurantes, etc. Fora o controle de mercados ilegais, como, por exemplo, o das drogas.



Pois bem. Nos próximos três dias autoridades italianas e alemãs, em Berlim, discutirão estratégias e plano de colaboração para contrastar o sistema mafioso. O encontro será encerrado com a lavratura de um termo de cooperação internacional , já alinhado no mês de dezembro, por ocasião do chefe da polícia de estado, o italiano Antonio Manganelli.

PANO RÁPIDO : antes tarde do que nunca. Pelo vazado, o sistema mafioso opera mais fortemente de Munique a Bochum e de Blaustein a Stutgart.

Wálter Fanganiello Maierovitch


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Quando Bush chorou.





foto: holocausto.







Demorei para escrever o “post”. Estava com receio de conclusões precipitadas sobre as lágrimas derramadas pelo Bush, quando da sua visita a Israel.



Na semana, já tínhamos tido o episódio das lágrimas de Hillary Clinton, que lhe renderam votos e renovaram as suas esperanças de vencer a convenção dos democratas. Isto depois do susto em Iowa.



Pois bem. Encontrei, para me aliviar, o comentário de Elie Wiesel, já ganhador do Nobel da Paz. Aí, saiu o “post”.

Pois bem. Wiesel afirmou que, até agora, nenhum presidente norte-americano tinha se pronunciado sobre uma omissão dos Aliados, no curso da Segunda Guerra. Demonstrou simpatia e admiração pelo gesto de Bush: Wiesel perdeu, nas câmaras de gás de Auschwitz, a mãe, o pai e a irmã menor e a



Em outras palavras, os Aliados sabiam do campo de concentração de Auschwitz e não o bombardearam: Por que da omissão ?



Um passo atrás. Bush chorou ao ver, no museu do Holocausto, uma foto do campo de concentração de Auschwitz, pleno de condenados à morte. Depois de meditar, Bush acrescentou, emocionado: “-Deveríamos ter bombardeado Auschiwtz.



O choro de Bush e o seu desabafo representaram, e assim está sendo considerado por historiadores e sociólogos europeus , um verdadeiro mea-culpa . Ou seja, houve omissão.



A propósito, Wiesel já havia se perguntado, inúmeras vezes, sobre a razão do não bombardeamento de Auschwitz, pois todos, à época, sabiam das atrocidades lá perpetradas.



Não sei, -- caro internauta--, mas penso que pela cabeça de Bush deve ter passado, pelo menos, a imagem das 1,5 milhões de crianças mortas em câmeras de gás em Auschwitz. Daí, as lágrimas.



Uma pergunta me assaltava, pois parecia sem resposta e a justificar o não bombardeamento. Ou seja: se os norte-americanos tivessem bombardeado Auschwitz quantos judeus não teriam sido mortos ?



A resposta veio faz muitos anos. Pela própria pena de Wiesel, autor do livro intitulado “A Noite”.



Sobre o não bombardeamento para evitar mortes de inocentes que estavam aprisionados pelos nazistas no campo de concentração de Auschwitz, Wiesel sempre destacava dois fatos, a justificar o bombardeamento, como, agora, percebeu Bush:


Para Wiesel, existiam duas saídas:
1. Bombardeamento da linha férrea que, de trem, levava em comboios lotados, judeus ao campo de Auschwitz. Isto teria, segundo Wiesel, interrompido um fluxo, que permaneceu constante, depois de os Aliados já terem a informação da existência e da finalidade de Auschwitz.


2. Bombardeamento do próprio campo de Auschwitz, pois os judeus lá estavam condenados à morte, ou seja, iam morrer de todo jeito por gás letal. Portanto, as bombas evitariam a morte por gás e colocariam fim ao campo de aniquilamentos humanos.



PANO RÁPIDO. As lágrimas de Bush e o mea-culpa me surpreenderam. Mas, como pode chorar um homem que promove guerras, invasões, autorizava violações de direitos humanos, etc, etc ?

Wálter Fanganiello Maierovitch.










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FARC: 2.148 dias com Ingrid Betancourt.





Ingrid Betancourt, última imagem.



Os jornais europeus preferiram, - em face da libertação das reféns Clara Rojas e Consuelo Gonzáles--, destacar os 2.148 dias do seqüestro da franco-colombiana Ingrid Betancourt pelas Farc.



Clara Rojas teve um ato leal e heróico quando do seqüestro. Não quis abandonar Ingrid Betancourt e acabou sendo levada com a então candidata à presidência da Colômbia, na sucessão de Andrés Pastrana.



Esse ato de lealdade de Clarita, --como é carinhosamente chamada na Colômbia--, custou-lhe 5 anos e 10 meses de privação de liberdade na selva. Consuelo, então deputada, permaneceu 6 anos e 4 meses aprisionada pelas Farc.



Como se percebe, a imprensa européia preferiu aproveitar a libertação das reféns para fazer pressão em favor de Ingrid, cujo último vídeo mostrou estar em depressão profunda. E a família de Ingrid, irmão, marido e filho, da França, afinaram o discurso e não hostilizaram as Farc.



Astrid Batancourt, irmão de Ingrid, até exagerou. Disse, por exemplo, que “os rebeldes são confiáveis”. Evitou o termo terroristas, tão a gosto de Bush e Uribe, e não criou hostilidade em face do conhecido episódio do menino Emmanuel.



A propósito do menino, Astrid frisou: “- Também o caso Emmanuel é um bom precedente, pois eles (Farc) disseram a verdade, apesar da abertura para as críticas” Na verdade, -- e compreende-se a angustia e a cautela de Astrid--, as Farc só disseram a verdade depois de desmascaradas por Uribe e diante do exame de DNA positivo e a comprovar que a criança, deixada na creche, era Emmanuel, filho de Clarita.



Com muita perspicácia, Astrid, quando perguntada se estava satisfeita com a liberação dos reféns, foi “rápida no gatilho”. Respondeu: “- Claro. A liberação demonstra três coisas: 1. O empenho das Farc era sério uma vez que disseram que iriam liberar as reféns e o fizeram. 2. A mediação feita por Chavez foi um sucesso e serve para mostrar que se trata de um canal imprescindível, 3. Que se aproveite a ocasião para se definir um modus operando para se chegar ao acordo humanitário” (referência à troca entre seqüestrados e insurgentes das Farc presos pelo governo)



PANO RÁPIDO. Uribe reagiu bem e até elogiou Chavez, logo depois da efetivação da libertação. A pressão internacional intensificou-se e deverá sensibilizar o velho comandante Manuel Marulanda e o ideólogo e real comandante das Farc, Raul Reys . O presidente francês já está em campo, pois a libertação de Ingrid é de seu grande interesse político, nessa sua tentativa de humanizar a imagem. Uma imagem ainda desgastada pela postura violenta e desrespeitadora de direitos humanos, isto quando estava à frente do ministério do Interior.

Wálter Fanganiello Maierovitch.



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Overdose. Decisão inédita. Traficante condenado a pagar indenização.








A canadense Sandra Bergen permaneceu onze dias em estado de coma , em razão de overdose de metanfetamina.



Ela comprava drogas proibidas de Clinton Davis. Depois do coma, permeneceu em tratamento hospitalar pois a droga usada criara forte dependência psíquica e danos físicos.



Tudo ocorreu em 2004, quando Sandra tinha 21 anos. Em 2005, depois da recuperação, ela propôs, junto a Justiça canadense, uma ação indenizatória pelos danos suportados, incluídas as despesas de tratamento depois da saída do coma.



No curso da instrução do processo, ficou compravado a venda feita por Clinton Davis e a sua intenção de criar dependência na usuária, ou seja, mantê-la cativa.



Na sentença judicial de ganho de causa, a indenização foi estabelecida em 50 mil dólares canadenses

Nos próximos dias, o juiz que proferiu a sentença designou audiência para que Clinton Davis, o traficante do caso, faça uma proposta sobre a forma de pagamento da indenização.



Wálter Fanganiello Maierovitch.


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Maconha, só até a primavera.



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O premier Gordon Brown pretende que a legislação britânica volte a colocar a maconha, “no seu devido lugar”.



Que lugar seria esse ?



A história é a seguinte, grosso modo.
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A fortíssima associação dos policias britânicos fez uma proposta para a maconha ser reclassifacada. Caísse na tabela da lei antidrogas e passasse ao elenco da “classe C”. trocado em miúdos, se tornasse droga leve, cabendo ao policial a faculdade de realizar a apreensão na posse do usuário, lavrar um auto de multa, ou nada fazer.



A associação classista queria a valorização do profissional. As estatatísticas mostravam que os policiais não se arriscavam em prender traficantes, mas, quanto aos pacatos usuários ( a maconha, diferentemente do efeito da cocaína, mantém o usuário calmo, tranqüilo), batiam recordes em prisões em flagrante.



Depois de estudos e debates com a sociedade, --- conservadores da linha proibicionistas em oposição aos progressistas--, a maconha virou droga da classe “C”, em 2004. Ou seja, ela ainda continuou proibida criminalmente, mas sem prisão do usuário e eventual multa pecuniária ou perda do cigarro.



Como revelou o Times na edição de hoje, o premier Gordon Brow, por meio da “home-secretary” Jacqui Smith, decidiu, para a próxima primavera , trabalhar a fim de a maconha voltar à classe “B”.



Com isso, o apanhado na posse de maconha para uso próprio poderá, no devido processo judicial, ser condenado a 5 anos e mais pesada sanção pecuniária.



Para aquele possuidor que fizer cessão gratuita de uso,-- caso da chamada roda-de-fumo---, a pena sobe para 14 anos de detenção e mais multa.



Antes de reclassificar, Brown e a secretária Jacqui colherão um parecer do Advisor Council on the Misuse on Drugas, que já se sabe será pela volta à classificação original.



Ao Times, Jacqui explicou que, desde 2004 e com o rebaixamento na tabela, os britânicos, em especial os jovens, ficaram com a impressão que a droga era inócua em termos de danos à saúde e de que fumar era legítimo.



PANO RÁPIDO. Quando a primavera chegar ( agora e inverno) o fumacê será reduzido nas praças e nos demais locais públicos. Enquanto isso, a Suíça encaminha-se para a descriminalização da maconha.



Wálter Fanganiello Maierovitch.


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JOSÉ DIRCEU, veste nova camisa-de-sete-varas.





foto Folha de S.Paulo: José Dirceu, antes do implante capilar.



Sem poder gravar as respostas, a jornalista Daniela Pinheiro, da revista Piauí (www.revistapiaui.com.br) , foi corajosa ao entrevistar o endinheirado José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil e deputado cassado por quebra de decoro parlamentar.



E ela foi corajosa porque, como regra, os políticos e os ex-parlamentares são inconfiáveis. Eles costumam plantar notícias e, logo depois, desmentem, sem ruborizar. Mais ainda, procuram, muitas vezes, mandar recados e fazer chegar ameaças por meio da chamada mão-do-gato.



No governo Fernando Henrique Cardoso, o procurador Luís Francisco, como ficou comprovado, passava informações para jornalistas. E imediatamente após a publicação delas pela mídia, dava entrevistas coletivas. Com ar de surpreso e a fingir o desconhecimento, até então, de fatos graves, ela comunicava da instauração,-- ( com base no noticiado nos jornais e revistas --, o começo de um procedimento apuratório. Em outras palavras, o procurador Luiz Francisco plantava informações para poder, usada a mão do gato, apresentar-se como Catão, o censor.



Os supracitados parlamentares ou ex-políticos, sempre como regra, apostam na memória-curta do eleitor. No particular, vale lembrar o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, um dos pinóquios do escândalo da violação do painel eletrônico do Congresso Nacional.



Depois de mentir teatralmente, Arruda resolveu, ---quando desmentido por provas irrefutáveis--, renunciar ao mandato. Isto para não ser cassado pela conduta indecorosa e a fim de não ter os direitos políticos suspensos.



O mega-empresário José Dirceu disse não ter falado ou tocado, na entrevista à revista Piauí , em assunto sobre negócios do Lulinha. E nem de emprego de dinheiro de caixa2 na compra da sede do PT do Rio Grande do Sul.



Sem a gravação, por evidente, está aberta a porta para um processo civil indenizatório por reparação de danos contra a revista Piauí. No campo penal, também com base na Lei de Imprensa, poderá ser aforada ação fundada em fato atentatório à honra.



Por outro lado, uma coisa é certa. Na entrevista divulgada pela revista Piauí há graves informações de ilicitudes, no campo criminal. Mais claramente, com relação a Lulinha e aos membros dirigentes do PT gaúcho do partido.



Pela nossa constituição da República e pela lei ordinária processual penal, o Ministério Público tem o poder e o dever de apurar notícias de crimes, em inquérito policial. Em outras palavras, não pode deixar passar em branco.


Talvez o desmentido de Dirceu seja uma tentativa para evitar uma investigação criminal, por iniciativa do Ministério Público. Ou seja, apostar no dito pelo não dito. Só que, num país civil (civilizado), denunciar e depois desmentir não impede a apuração da verdade real pelo Ministério Público.



Ao que parece, o José Dirceu meteu-se, novamente, numa camisa-de-sete-varas: aqui tomada a expressão da tradição cultural portuguesa, a significar enfiar-se, meter-se, numa confusão de solução complicada.



Como José Direceu está muito rico, -- hoje os jornais noticiam a venda milionária da empresa de Daniel Dantas, que tem como escudeiro José Dirceu---, a mencionada camisa-de-sete-varas, --tenho certeza--, será de uma “griffe” famosa.


Wálter Fanganiello Maierovitch


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CONFIRA COMENTÁRIO:


Salvador de Farias | E - mail | 12/01/08 01:30:241.


Que fique bem claro que o apregoado "serviço de consultoria" não passa do clássico "tráfico de influência". Talvez nem isso. O Zé agora é coletor de propina de luxo.


Para ficar mais claro, Zé Dirceu diz que agora trabalha como consultor de emresas e que dessa atividade provém o dinheiro que ganha. É um virtuose da consultoria, talento que só apareceu aos 60 anos de idade e depois que o PT chegou ao Poder.
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PRESÍDIOS: Visitas Íntimas.





foto: revista Caros amigos.



Hoje de manhã fui honrado com um convite do jornalista e historiador Heródoto Barbeiro para participar do Jornal da CBN. O tema era “Visitas íntimas nos presídios”



Passei parte da madrugada a reler um clássico do penitenciarismo, escrito no final do século XIX e intitulado “El Visitador del Preso”.



A autora da obra é a penitenciarista espanhola Concepción Arenal, falecida em 1893. É dela a significativa frase de que “não há criminosos incorrigíveis, mas incorrigidos”. No penitenciarismo, ela pertencia à chamada Escola Correcionalista.



Os correcionalistas, como Arenal, entendiam, com razão, que a pena tem uma finalidade ética, que é emendar o condenado.



Nossas constituições sempre proibiram as penas de morte e de prisão perpétua. Portanto, sempre se acreditou na ressocialização.



Só que no Brasil os presídios não emendam. Em outras palavras, as penas não atingem seu objetivo de emendar. Foram disvirtuados os presídios e a disciplina, --necessária para a reeducação--, deu lugar à entropia.



Não é sem causa que o porcentual de reincidência (presos que deixam o cárcere e voltam a delinqüir) ultrapassa a casa dos 70%.



Com os presídios desvirtuados, veio a sua transformação em prostíbulos, com as denominadas visitas íntimas.



Nada contra a visita íntima, desde que regrada, em condições higiênicas, cursos de educação sexual, vedação à multiplicidade de parceiros, uso de preservativos ou anticoncepcionais.



A visita, incluída a íntima, deve fazer parte do programa de emenda, também chamado de individualização da execução.



Importante frisar que a visita de amigos e familiares ao condenado encarcerado tem, também, um componente ético-afetivo. Aquele que visita deve reprovar a conduta passada, criminosa. Só que deve colocar-se como incentivador à emenda, à nova vida, sem crimes.



Pela lei, o preso, com a condenação criminal definitiva, perde a liberdade e a cidadania. Não direitos outros, como, por exemplo, o de ter um programa individualizador com visitas íntimas.



No Brasil, caso o sistema penitenciário cumprisse o seu papel constitucional, os presídios, no que toca às visitas íntimas, não teriam sido transformados em espécies de prostíbulos do baixo meretrício.


Wálter Fanganiello Maierovitch.




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Naomi Campbell restabelece ego de Hugo Chavez.





foto: Globo on-line.



-“O senhor apareceria com o dorso nu, como o presidente Putin”?


-“Por que não ? Quer testar a minha musculatura” ?


-“Que coisa faria se não fosse o presidente” ?
-“Seria um cantor latino”.



Pelo que se sabia, a modelo Naomi Campbell, apelidada de Vênus Negra, tinha ido pegar um sol nas praias venezuelanas, para fugir ao inverno europeu.



Mas, não era bem isso. A top-model Naomi foi contratada pela revista britâncica GQ para realizar entrevistas com celebridades. E o primeiro da lista era Chavez, ainda um pouco acabrunhado depois do estelionado passado pelas FARC, no recente caso da frustrada troca de reféns.



Para a entrevista, Naomi apresentou-se, como sempre, maravilhosa e sensual: vestido branco com corte que deixava mostrar as costas e as pernas, estas quando cruzadas.



Chavez dedicou dois dias à Naomi e derramou-se em gentilezas e considerações. Ficou radiante ao saber que era o primeiro a ser por ela entrevisto. E exultou em saber que Naomi, depois de Chavez, entrevistará, -- como enviada especial-- Lewis Hamilton, piloto da Fórmula Um, e Fidel Castro.



Evidentemente, não faltaram perguntas usuais sobre o que Chavez achava do presidente George W.Bush e da sua equipe:

-“É completamente maluco”.
- “E a Condoleeza Rice”?
-“É a secretária de Estado de um governo genocida”.
-“E Fidel Castro”?
-“É o líder mais elegante do mundo, com aquele uniforme sempre impecável, o coturno brilhante e a barba perfeita”.



Concluída e revelada a razão da presença de Naomi na Venezuela, passou ela a ser assediada por jornalistas de todo o mundo. Queriam saber da sua impressão pessoal sobre Chavez. Em síntese, ela virou notícia.



Sem as costumeiras crises de agressividade ( já distribuiu tesouradas em desafetas), Naomi disse que não lhe competia julgar Chavez, mas entrevistá-lo. Mais, que ele lhe passara a impressão de ser “Anjo Rebelde”. Para rematar, disse que tinha estado na Venezuela há 10 anos e o país, agora, está bem melhor.



PANO RÁPIDO. Para Chavez, --que era alvo de críticas pela sua postura parcial em favor das FARC e pela condução de uma impostura preparada pelos insurgentes--, a entrevista com Naomi caiu do céu. Ergueu o seu ego. Hoje, ele ocupou espaços das mídias européias. Só que a protagonista acabou sendo a top-model Naomi, na sua nova atividade de “enviada especial” da revista GQ.


Wálter Fanganiello Maierovitch.





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CONFIRA os comentários enviados:


1.Os ingleses são grandes gozadores. Puseram a polêmica modelo para entrevistar só pessoas que rendam boas gargalhadas.


Salvador de Farias | E - mail | 10/01/08 00:53:001.


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2) Amigo, acompanho seu blog. Apesar de apenas constar amenidades no post, eis que já é lugar comum o presidente Chavez desejar ser popstar - ele perdeu a luta para seu ego faz tempo... Observe, apenas, o último parágrafo novamente...Forte abraço

fABIO | E - mail | 09/01/08 22:30:04



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Cidadania Brasileira em Alta: Pato estréia domingo contra o Napoli.







Na terra dos campeões mundiais de futebol, cidadãos brasileiros continuam a ocupar espaço nos jornais esportivos.



Kaká e o sósia, que vai virar capa da revista G-Magazine (vide post abaixo). passou das páginas dos jornais para os programas televisivos de final de semana.



Hoje, o destaque é Pato (ex-Internacional de Porto Alegre), também da equipe do Milan. Ele vai estrear no jogo contra o Napoli e a torcida comparecerá em massa para assistir sua apresentação.



Segundo os jornais, Pato, de 18 anos de idade, retornou ontem de Porto Alegre. Desceu no aeroporto de Malpensa com cara-animada e com roupas de “griffes” famosas. Houve um certo espanto, pois fazia 4 graus negativos e Pato estava em trajes tropicais, sem o tradicional e pesado capote de lã e um gorro para proteger a cabeça.



Além de Kaká, dois outros brasileiros fizeram história no Milan, pelas conquistas nacionais e internacionais.



Um deles, foi José Altafini. No Brasil conhecido por Mazola. Foi magistral centravante da Sociedade Esportiva Palmeiras. Mazola jogou (na segunda partida foi substituído pelo saudoso Vavá, também ex- Palmeiras) e tornou-se campeão do mundo pelo Brasil em 1958. Depois do sucesso no Milan, Mazola acabou por jogar, feita a naturalização, na seleção da Itália. Jogou até os 40 anos de idade.



Hoje, Altafani, que vive na Itália, é comentarista esportivo. Ainda mistura palavras em português, nos seus comentários feitos pela Sky-italiana.



O segundo de sucesso, jogava no Santos. Para muitos, incluído o abaixo-assinado, nunca foi craque. Era esforçado e jamais foi cogitado para a seleção brasileira, quando no Santos. Seu nome: Ângelo Benedicto Sormani. Pelo Milan, ele faturou, na década de 60, a Copa dos Campeões, a Copa das Copas, a Copa Intercontinental e, lógico, campeonatos nacionais.



Outro brasileiro de destaque no noticiário, é Ronaldo. Ele atuará num amistoso, amanhã, pelo Milão. O jogo, caça-níqueis, será entre o Milan e a seleção dos Emirados Árabes.
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Os jornais informam que Ronaldo está bem treinado e quase no ponto. Para quem quiser acreditar, está escrito que, no período de Natal e Ano Novo, ele “treinou forte nas praias cariocas na companhia de Emerson”, seu companhero de club. Vamos acreditar?.




O Milan sabe contratar jogadores brasileiros. Dos muitos que passaram, ou ainda jogam por lá, poucos não deram certo.Quanto aos brasileiros que não foram felizes profissionalmente no Milan, apenas Rivaldo, que chegou com 30 anos, --consagrado, cansado e com ávida pessoal atrapalhada-, e Ricardo de Oliveira.



Wálter Fanganiello Maierovitch.


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CIA: abortados ataques clandestinos.







Depois do assassinato da líder paquistanesa Benazir Bhutto e para aproveitar o discurso do presidente Pervez Musharraf que atribuiu a responsabilidade pela tragédia à Al Qaeda, a CIA animou-se em lançar “operações clandestinas” no Paquistão.



Dois seriam os seus alvos. Seriam a a Al Qaeda-central e alguns extremistas talebans eversivos, ambos com frentes localizáveis na região tribal, ou seja, na fronteira do Paquistão com o Afeganistão.



A respeito, o The New York Times, edição de ontem, publicou um interessante artigo sobre esse plano da CIA. Hoje , as autoridades militares do Paquistão reagiram. A presença de uma “força especial da CIA”, a atuar de forma clandestina, seria inaceitável, pois violaria a soberania do país.



Convém lembrar que a Al Qaeda e fundamentalistas talebans acusam o presidente Musharraf e os generais do exército paquistanês de “colaboracionismo” com os norte-americanos.



Na sexta feira 05, antes da publicação da matéria domenical do New York Times, uma reunião na Casa Branca concluiu que o governo Bush não deveria, -- dada a situação de momento--, promover qualquer ação no Paquistão, sob risco de tornar insustentável a situação e virar o quadro em favor dos radicais e da Al Qaeda. Dessa reunião participaram o vice-presidente Cheney, a secretária de Estado Condoleezza Rice, o conselheiro para assuntos de segunça Steve Hadley e o chefe do estado-maior das Forças Armadas.



Para o governo ditadorial de Musharraf, a matéria do New Yor Times não passou de especulação.



PANO RÁPIDO. O Paquistão, depois do assassinato de Benazir Bhutto tornou-se objeto de preocupação das grande potenciais, incluídas China e Rússia.
Isso porque é o único país islâmico detentor da bomba atônica, que é o maior objeto de desejo de qaedistas e de talebans. E uma desarticulação governamental e perda de controle, também é o desejo dos que atuam no nebuloso mercado internacional de armas e segredos atômicos.



A situação no país é de instabilidade. Os talebans invocam a Sharia (lei islâmica) como a única lei a ser obedecida no país. Os jihaidistas prometem tumultuar as eleições parlamentares que foram remarcadas para 18 de fevereiro e o general-ditador Musharraf, que teve de renunciar ao comando do exército por decisão da Suprema Corte, é considerado, pelos democratas laicos, como o grande responsável,-- até por negligência--, pelo assassinato de Benezir Bhutto, que não recebeu proteção adequada no seu último comício.



Por outro lado, a situação com a vizinha e inimiga Índia (também detém a bomba-atômica), na região da Caximira, não é tranqüila. Desde 1947, quando da independência do Império Britânico e divisão em dois blocos, com hindus de um lado (União da Índia) e islâmicos do outro (Paquistão), ocorreram quatro guerras entre Paquistão e Índia.



Nessa quadra agitada, não se sabe, até agora, quem disparou em Benazir e quem era o camicase que promoveu a explosão.


Wálter Fanganiello Maierovitch.


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War on Drugs: mais uma falência.


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Em 1998 fui convidado pelas NaçõesUnidas a acompanhar, como observador, a Assembléia Especial das Nações Unidas dedicada ao fenômeno das drogas ilícitas.



Dessa assembléia saiu, por influência norte-americana, um mote, aprovado por unanimidade pelos estados-membros presentes. O slogan era o seguinte: UM MUNDO LIVRE DE DROGAS PODEMOS CONSEGUIR.



Na ocasião, no café do Palácio de Vidros (sede da ONU), conversei com vários estudiosos, da chamada linha progressista, porque o mote era falso. Bastava olhar a história. Isto para perceber que era mera utopia conceber um mundo sem uso de drogas. Uma breve consulta ao historiador Heródoto resolveria.



Em síntese, mais uma vez os campeões mundiais de consumo, --naquela oportunidade sob o comando do presidente Bill Clinton (discursou na Assembléia)--, convenceram os demais estados-membros, incluído o Brasil , da possibilidade de um mundo livre das drogas.



Na véspera dos 10 anos da referida assembléia-especial, os EUA continuam a liderar o consumo. A economia movimentada pelas drogas cresceu e, num quadro planetário, a oferta explodiu em face do aumento da demanda.



A fórmula fracassada das Nações Unidas para o tal “mundo sem drogas” era, fundamentalmente, a repressão policial, a eliminação de cultivos ( por exemplo o “Plan Colômbia” e o boliviano Plano Dignidade), a troca internacional de informações, a responsabilidade compartilhada entre países, e imposição de penas pesadas aos consumidores.



Por que voltei a lembrar da referida Assembléia Especial, prestes a completar 10 anos ?

É que o México acaba de divulgar o balanço dos últimos dez anos de combate as drogas. Um fracasso total.



Seguem alguns dados, que dispensam comentários:



.50% de aumento de consumo de drogas entre os mexicanos.



.os mexicanos ultrapassaram os colombianos na introdução de cocaína, maconha e heroína, em território norte-americano.



.entre os anos 2000 e 2007, morreram 11.800 pessoas em conflitos ligados às drogas, morreram, entre 2000 e 2007.



.nos últimos dez anos, foram presas 90 mil pessoas acusadas por narcotráfico. Foram presos 40 grossos chefões de cartéis mexicanos.





Se o internauta quiser mais dados sobre o fracasso mexicano, -- e o atual “Plan México” obedece a linha da guerra às drogas (igual do governador Sérgio Cabral)---, fique a vontade para solicitar.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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Depois do terceiro lugar em Iowa, entra em campo Bill Clinton.





foto:Bill Clinton.



Oficialmente, Bill Clinton não tinha entrado na campanha relativa à convenção dos democratas para não ofuscar a ex first-lady Hillary Clinton. A verdade, no entanto, é que formam um casal de aparência, pois, de fato, mantém leitos separados faz muito tempo.



A derrota em Iowa para o afroamericano Barach Obama, de Illinois, e para o ex-senador da Carolina do Norte John Edwards, fez Hillary apelar para Clinton. E Clinton já se movimenta para que Hillary fature em New Hemoshire, onde aparece como favorita.



Perder em Iowa, considerado um colégio diferente até pela forma de escolha, não quer dizer que Hillary não chegará, como candidata democrata, à disputa da presidência em 4 de novembro. O inesperado foi o alto percentual de Obama (38%) e o terceiro lugar.



No campo republicano, o pastor batista Mike Huckabee venceu com nove pontos de vantagem o segundo colocado (34,3% a 25,3%) o mórmon Mitt Ronney.



Até pareceu uma guerra entre duas religiões: batistas x mórmons. Numa “guerra religiosa”, os laicos John McCain, ex-senador pelo Tennessee, e Fred Thompson, ator do seriado Law & Order (Lei e Ordem), se deram bem. Cada um deles teve pouco acima de 13% dos votos republicanos.



Vamos aguardar pela entrada em campo de Bill Clinton, que já deu um chega-prá-lá no marqueteiro da campanha de Hillary. Aquele que o colocou no “banco de reservas”, apesar da sua altíssima popularidade nos EUA.

Wálter Fanganiello Maierovitch.




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CHURRASCO DE BOI CLONADO.





foto: boi clonado.



Depois de uma batalha de mais de quatro anos, a carne de bovinos clonados poderá ser comercializada nos EUA.



A decisão é do Federal and Drug Administration (Fda), que não foi publicada, mas adiantada, hoje, pelo Wall Street Journal.



Do ponto de vista médico-científico, nenhum problema em termos de saúde pública advém de comer a carne de bovino clonado ou tomar o leite de vaca clonada. Ao que parece, o sabor, por ser o mesmo, não pode servir de desculpa para churrasqueiros de final de semana.



Uma clonagem de um bovino custa cerca de US$20 mil. Assim, e como destaca o Wall Stret Journal, convém comercialmente esperar de 3 a 5 anos para vendê-lo.



Para muitos, a clonagem de animais poderá ser solução para a fome no planeta. Talvez, em outro tipo de sociedade, pois a capitalista só vai se interessar em vender para governos. E estes não têm capacidade para desenvolver técnicas baratas para, posteriormente, distribuir carne aos carentes.

Wálter Fanganiello Maierovitch.


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DIREITO À IMAGEM: A CELEBRIDADE E O SÓSIA GAY,





foto La Repubblica: Lucas, o sósia gay de S.José do Rio Preto.

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foto Corriere della Sera: Kaká e Lucas.
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Um amigo italiano, fanático por futebol e torcedor da esquadra da Roma, enviou-me hoje um e.mail com uma matéria do jornal La Repubblica, de maior circulação naquele país.



O jornal repercutiu uma polêmica a envolver, no Brasil, o jogador Kaká, recém eleito o melhor futebolista de 2007, e a revista G Magazine , dedicada ao público gay.



Kaká deverá ingressar com uma ação indenizatória contra a revista que, na edição de fevereiro próximo , vai apresentar um sósia de Kaká completamente nu. O ponto, segundo colocado pela da assessoria de Kaká, é que a revista não se limitou a mostrar o sósia, mas emprega o nome de Kaká para marcar semelhanças fisionômicas.



O sósia mora na cidade paulista de São José do Rio Preto. Segundo o La Repubblica, as diferenças com o craque são mínimas. E o jornal publica a foto de Lucas Pugliessa, o sósia.



O título da matéria jornalística é o seguinte: Um Sósia Gay di Kakà.



PANO RÁPIDO. O debate jurídico promete, pois o direito à imagem é constitucionalmente assegurado. Frise-se: quer de Lucas, quer de Káka. A fama de Kaká não anula a imagem e os direitos do sósia.



As comparações fisionômicas, numa matéria jornalística, seriam inevitáveis. Resta saber, apenas, se a revista não transbordou no seu direito de informar.


Fora isso, o direito e um não anula o do outro. Em outras palavras, se não houver ofensa, poderia se concluir, no popular: “o jogo empata e Kaká deveria baixar a bola”.



O fato de se tratar de uma revista para gays não a desqualifica e nem impede que faça jornalismo.



A assessoria brasileira de Kaká, a propósito, faz muito jogo de cena. No IBGF e no Terra Magazine, em 2007, ela já protestou com relação à informação, que tinha como fonte revelada o jornal italiano Corriere della Sera , de que Kaká cedera a imagem para um site de ultrà (nome dada às violentas torcidas organizadas na Itália). No caso, uma ultrà do Milan. Lógico, mandei reclamar com o Corriere della Sera. Até agora, e sou assinante do jornal, não houve desmentido.



Wálter Fanganiello Maierovitch



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VACINA CONTRA COCAÍNA: depois de muitos fracassos, uma esperança.








Até agora, muitos trabalhos científicos sobre vacinas a inibir o uso de cocaína não passaram pela aprovação do Federal and Drug Administration (FDA).



Neste início de ano, no entanto, muitos cientistas apostam no sucesso da vacina contra a cocaína elaborada por Ton Kosten, professor de psiquiatria, e a sua esposa Therese Kosten, psicóloga especializada em neurologia. O casal trabalha, em pesquisas, no Baylor College of Medicine di Houston.



A vacina está na fase de testagem clínica, ou seja, na última exigida para aprovação pelo supracitado FDA.



Os dois pesquisadores anunciaram que a vacina estimula o sistema imunológico de tal maneira que o paciente não sente vontade de usar a cocaína (grosso modo, vence a popular fase da “fissura”, uma das mais difícieis para o drogadicto).



O casal explicou que o sistema imunológico tem dificuldade em reconhecer a cocaína. Isto porque as partículas são muito pequenas. Assim, não produzem anticorpos para agredi-las.



A vacina ajuda no reconhecimento das moléculas da droga. Diante do estímulo, explicam os pesquisadores, “o sistema imunológico produz anticorpos e, mais ainda, consegue detectar a presença da molécula com precisão a ponto a impedir que alcance o cérebro, lugar onde são gerados os efeitos típicos da cocaína.

O patenteamento do invento medicinal (vacina) já foi solicitado junto ao FDA. Para o famoso neurologista David Eagleman, a idéia é brilhante e compensou uma pesquisa de muitos anos.

PANO RÁPIDO. Caso aprovada pelo FDA, só restará o trabalho de convencimento, pois muitos cocainômanos, maiores de idade, não querem deixar o vício.



Walter Fanganiello Maierovitch




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FARC: o caminho da insurgência para o crime organizado.








Estou numa grande torcida. Mas, com pouca esperança de que, em breve, as Farc dêem prosseguimento à promessa de liberação dos três reféns seqüestrados.


Em 1999, no governo Andrés Pastrana, ---nem a efetiva desmilitarização de uma área maior do que a Suíça---, fez as FARC cumprirem a promessa de engajamento no processo de paz.



O ex-presidente Pastrana, -- de centro-esquerda---, terminou o mandato d presidentes sentindo-se traído pelas FARC e com baixa aprovação popular. Abriu a porta para a vitória de Álvaro Uribe, de ultra-direita.



Quando determinou a desmilitarização, Pastrana foi criticadíssimo e ganhou a inimizade dos EUA. Depois, para contemporizar, aceitou e implantou o Plan Colômbia, de insucesso absoluto na redução da oferta de cocaína. Como o mundo dá voltas, Pastrana, depois de deixar a presidência da Colômbia, virou embaixador do seu país em Washington.



No momento, são reduzidas as esperanças quanto às FARC cumprirem o que passou a ser chamado de “ato humanitário”. Ato humanitário em desagravo ao presidente venezuelano Hugo Chavez. Isto pelo afastamento, por ato de Uribe, de Chavez como interlocutor com as FARC para a libertação de reféns seqüestrados.



No particular, é bom lembrar que já voltaram para casa os membros da Comissão Internacional de Observadores.



A Comissão testemunharia a libertação dos três reféns prometidos. Essa comissão é formada por 7 países, dentre eles o Brasil, a França e a Suíça.



Sem a presença desses observadores, as FARC não moverão uma palha.



O cenário tende a piorar. O presidente Uribe não confia nas FARC, que assassinaram seu pai por ligações com os paramilitares de direita: AUC- Autodefensas Unidas di Colombia.



Além disso, Uribe levantou uma desconfiança, ou seja, Emanuel, --filho da seqüestrada Clara Roja--, não seria entregue, pois viveria numa creche em Bogotá. Essa desconfiança já virou novela, com exames do “DNA” no menino para cotejo com a da presumida avó materna.



Por outro lado, os dirigentes das FARC, de ideologia marxistas, não confiam em Uribe e denunciaram movimentos de tropas na região do Gaviare, de onde sairiam os reféns.



O certo é que Uribe e as FARC jamais celebrarão um acordo de paz. Quando muito, poderão trocar reféns e ocorrer o repatriamento de guerrilheiros das FARC que foram extraditados para os EUA.



Nesse quadro de insurgência que dura mais de 40 anos, Ingrid Betancourt, -- uma franco-colombiana que não estava entre os três que seriam libertados pelas FARC e foi seqüestrada em fevereiro de 2002---, passa a depender da pressão francesa. E sua sorte é que o presidente francês está disposto a negiciar.



O seqüestro de pessoas, ou para propaganda política ou para extorsões em dinheiro , é uma das especialidades das FARC.



Por ano e nos seqüestros para fim de extorsões, as FARC faturam mais de US$ 32 milhões. Ou melhor, recebem isso como pagamento de resgate feito pelos familiares de seqüestrados.


A extorsão mediante seqüestro de pessoas é o carro-chefe da arrecadação das FARC. Mais do que drogas ilícitas, com a qual as FAR chegam a faturar a 11 milhões de dólares por ano.



Agora, como propaganda, os seqüestros também servem para mostrar o pior lado das FARC. Uma organização que não respeita minimamente os direitos naturais, do ser humano (da natureza do ser humano, como a liberdade, etc).



Nos seus mais de 40 anos de existência, as FARC bandearam da insurgência para o crime organizado.



Wálter Fanganiello Maierovitch.


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SEXY SIMBOL: Bilawal Bhutto, página na internet com recorde de acessos tirada do ar.